


Eu adoro o Almir Sater. Além de achá-lo lindo e sexy com aquela viola *rs*, o repertório dele é maravilhoso (*lembrando da chalana*).
A música abaixo é uma das minhas favoritas... e acreditam que o violeiro lá do rancho onde eu fui no domingo não sabia tocá-la? Que absurdo! Mas, quando fomos para o bar, se encarregaram de pedí-la para mim e foi lindo ouví-la naquele momento e naquele lugar. Parece que só de ouvir a música já tenho mais forças para tocar em frente...
Ando devagar porque já tive pressa
e levo esse sorriso, porque já chorei demais
Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe
eu só levo a certeza de que muito pouco eu sei, eu nada sei
Conhecer as manhãs e as manhas,
o sabor das massas e das maçãs,
é preciso o amor pra poder pulsar,
é preciso paz pra poder sorrir,
é preciso a chuva para florir.
Penso que cumprir a vida seja simplesmente
compreender a marcha, e ir tocando em frente
como um velho boiadeiro levando a boiada,
eu vou tocando os dias pela longa estrada eu vou,
de estrada eu sou
Todo mundo ama um dia, todo mundo chora,
Um dia a gente chega, no outro vai embora
Cada um de nós compõe a sua história,
e cada ser em si, carrega o dom de ser capaz,
e ser feliz
Ando devagar porque já tive pressa
e levo esse sorriso porque já chorei demais
Cada um de nós compõe a sua história,
e cada ser em si, carrega o dom de ser capaz,
e ser feliz
"Das brumas do tempo em que Josef ainda estava no colégio, vejo aparecer uma moça, ela é longilínea, bela, ela é virgem, e está melancólica porque acaba de se separar de um rapaz. É sua primeira ruptura amorosa, ela sofre com isso,massua dor é menos forte que o espanto que sente ao descobrir o tempo, ela o vê como nunca acontecera antes.
Até então, o tempo se mostrara a ela sob o aspecto do presente que avança e engole o futuro; ela temia sua velocidade (quando esperava alguma coisa desagradável) ou se revoltava contra sua lentidão (quando esperava algo de belo). Dessa vez, o tempo lhe parece inteiramente diferente; não é mais o presente vitorioso que se apossa do futuro; é o presente vencido, prisioneiro, levado pelo passado.Ela vê um rapaz que se afasta da sua vida e vai embora, inacessível para sempre. Hipnotizada, não pode fazer nada além de olhar esse pedaço de sua vida que se afasta, pode apenas olhar e sofrer. Sente uma sensação inteiramente nova que se chama nostalgia.
Essa sensação, esse desejo invencível de voltar, lhe revela num só golpe a existência do passado, de seu passado; na casa de sua vida, aparecerem janelas, janelas voltadas para dentro, para aquilo que vivera; contudo, sem essas janelas, sua existência seria inconcebível".
Milan Kundera - "A Ignorância"
Nem sempre as coisas saem do jeito que a gente deseja.
Nem sempre as pessoas alcançam as nossas expectativas.
Nem sempre aquilo que mais se assemelha a nós mesmos é o que nos faz sentir mais seguros.
Nem sempre é possível compreender o sentido de alguns gestos e de algumas palavras, que, no entanto, deixam marcas, mesmo assim.
Ás vezes é preciso prosseguir mesmo sem entender e ainda que o fim não seja claro... ainda que ninguém grite "agora acabou", ainda que o juiz não apite, ainda que a festa não acabe, ainda que as luzes não sejam completamente apagadas...
Mas nem todo fim é árduo.
Muito pelo contrário, ele pode ser suave, pode vir acompanhado do alívio, da calma e da sensação de completude que nos impulsiona a seguir. E pode trazer novos inícios, de coisas que talvez ainda nem sonhássemos, de sonhos que talvez tenham se transformado e de transformações que não sabíamos que eram possíveis...