



10 anos sem TOM
"Ouvirás na voz do vento
Meu constante adeus
E meu coração batendo
Num mesmo passo dos teus"
Hoje faz dez anos que o Brasil perdeu um de seus maiores compositores. Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim, poeta que soube colocar tantos sentimentos em palavras e melodias...
Celebrações e homenagens não faltarão. Dentre elas, destaco o lançamento do disco Antônio Carlos Jobim em Minas, ao vivo - Piano e Voz, raro espetáculo solo de Jobim no Palácio das Artes, em Belo Horizonte, no ano do meu nascimento (1981), lançado pelo selo Jobim Biscoito Fino (que prometeu relançar outros discos do compositor). Outra boa notícia é o lançamento do livro Três Canções de Tom Jobim, em que os especialistas Lorenzo Mammi, Luiz Tatit e Arthur Nestrovski analisam minuciosamente Sabiá, Águas de Março e Gabriela. O livro vem acompanhado de um CD com as três canções interpretadas pela cantora Ná Ozzetti e o pianista André Mehmari. A gravadora BMG, por sua vez, lança a compilação No Tom da Saudade - Um tributo a Jobim, reunindo diversos intérpretes (inclusive Chico Buarque, cantando a minha 'all time favorite' Eu te amo).
Bom saber que, no meio de tanto "barulho", ainda há espaço para o que há de melhor na música popular brasileira.
Êêê! Fiz a minha inscrição no curso abaixo, da Casa do Saber! Estou feliz da vida, vai ser ótimo!
Nietzsche, Filósofo da Suspeita
Professor: Scarlett Marton
Duração: 6 encontros semanais (30 vagas)
O curso abordará os temas centrais do pensamento nietzschiano. Conhecido sobretudo por filosofar a golpes de martelo, desafiar normas e destruir ídolos, Friedrich Nietzsche, um dos pensadores mais controvertidos de nosso tempo, deixou uma obra polêmica que continua no centro do debate filosófico.
1. Nietzsche e suas provocações - 16/02
2. A genealogia da moral - 23/02
3. Vida e vontade de potência - 02/03
4. Deus está morto! Ateísmo e niilismo - 09/03
5. A transvaloração de todos os valores - 16/03
6. Um pensador extemporâneo - 23/03
Scarlett Marton é doutora em Filosofia pela USP, onde leciona Filosofia Moderna e Contemporânea.
O ano chega ao fim e é sempre bom fazer um balanço geral... refletir sobre o que deu certo e o que não deu, sobre o modo como conduzimos a nossa vida, sobre as amizades que se foram e as que sobraram, sobre os amores encontrados e os perdidos...
2004 não foi nada fácil para mim. Talvez seja até correto dizer que tenha sido um dos anos mais complicados da minha vida - embora os desafios que eu enfrentei não tenham sido nem de longe comparáveis aos de outros anos.
Primeiro, a morte (inexplicável) do meu primo, que até hoje eu não consegui superar de verdade. Depois, problemas de depressão, a morte da Beth, uma grande desilusão amorosa e alguns desapontamentos com pessoas próximas.... tudo isso somado a uma grande quantidade de trabalho (trabalho esse que, diga-se de passagem, eu não gosto).
Mas, entre mortos e feridos salvaram-se todos. Acho que, de mais a mais, o ano terminou bem (e o grand finale ainda está por vir).
Arrumei coragem para começar a terapia, que está me ajudando a superar a depressão. Estou fazendo as coisas que eu gosto (vide a filosofia, o curso de russo...), me dedicando cada vez mais à literatura e ao estudo e, aos poucos, vou virar a mesa na parte profissional (sem pressa e com tranqüilidade).
A relação com a minha família melhorou horrores. Estou me libertando das amarras de "agradar sempre ao papai". Com a minha mãe, cumplicidade e companheirismo aumentaram ainda mais. Com meus irmãos, uma amizade sempre crescente e um grande apoio mútuo.
Fui capaz de fazer coisas que, antes, era inimagináveis para mim, embora pareçam tão simples para os outros, como, por exemplo, assumir que gostava de alguém, chorar em público (e até na frente da família) e me permitir descompensar de vez em quando. E estou aprendendo a separar as coisas - não é porque gostamos de uma pessoa que ela é realmente a melhor companhia para nós - e aos poucos vou encontrando meu lugar no mundo.
O trabalho, apesar de todos os pesares, acabou com meus problemas financeiros. No mais, conquistei também bons amigos por lá. Consegui finalmente passar na maldita OAB, o que é menos um peso pra minha consciência, embora, lá no fundo, eu não estivesse muito preocupada com isso.
Reatei laços com pessoas que estavam afastadas, fiz novos amigos e mantenho muitos dos antigos - embora alguns tenham se ido por esses ou aqueles motivos (o que é sempre uma pena - ainda que o resultado, no final das contas, seja benéfico).
Enfim, tive derrotas e vitórias, superei algumas coisas, outras eu ainda estou aprendendo a lidar, mas hoje posso dizer que me conheço muito melhor do que me conhecia no início do ano. E sinto que cresci e aprendi com os meus erros e acertos - o que, at the end of the day, é o mais importante. E, mais do que tudo, eu recuperei a capacidade de olhar para o futuro e ver inúmeras perspectivas, oportunidades e muita, muita coisa para aprender. A par de tudo o que passou pela minha cabeça esse ano, hoje eu posso dizer um sim bem grande à vida e que ela venha com todas as suas dores e delícias, porque, apesar de tudo "viver vale a pena".
Incrível que tenham tirado o Blog do Conselho do endereço antigo (só porque eu havia cedido), postado uma mensagem dizendo que tiveram "que mudar por causa das circunstâncias" e nem sequer tiveram a fineza de me avisar para que eu pudesse cancelar o maldito endereço. Se eu fosse tão mesquinha quanto, mandava tirar tudo o que tem de contribuição minha naquele site. Mas tudo bem, não vou ficar me stressando com bobagens.
Enfim, certos fatos apenas confirmam nossas suspeitas... é triste, só isso que eu tenho a dizer.
O livro do Nietzsche que estou lendo é simplesmente fantástico! O cara é realmente muito bom e há tanta verdade no que ele fala que até dói... Segue um trechinho que gostei bastante:
"Parece-me também que a palavra mais grosseira, a carta mais grosseira, são ainda mais humanas e mais honestas do que o silêncio. Aos que silenciam falta-lhes quase sempre finura e cortesia do coração; silenciar é uma objeção, engolir as coisas produz necessariamente mau cáráter - estraga inclusive o estômago. Todos os calados são dispépticos".
Ah, anotação mental: uma das melhores coisas da vida é descobrir que nenhuma opinião é unânime. Não há nada como saber que não é pra todo mundo que você é um fardo.
PS: sweet case rules.