Ligações perigosas 1
Esse final de semana me deixou confusa e me fez pensar em muitas coisas... (por isso escrevo, para ordenar meus pensamentos...).
Na sexta à noite, liguei para o Ivair, para desejar uma boa viagem (não sabia exatamente que dia ele ia embarcar para a Europa). Como ele não atendeu, deixei recado, explicando o porquê da ligação. E esqueci o assunto...
No sábado, fiz a via sacra de sempre (Vila Mariana-Raposo Tavares), todo o tempo com o celular no vibra. Quando saí da aula de russo e fui olhá-lo, tinham três ligações do Ivair e um recado... Enquanto ligava para a caixa postal, ele ligou de novo. (PS: Conto tudo isso para ilustrar como as coisas estão diferentes hoje... quando estávamos "juntos", ele NUNCA retornava minhas ligações, quiçá insistia tanto em falar comigo).
Atendi e me deparei com um Ivair animadíssimo: "Oi, paixão!!!!". Conversamos sobre amenidades um tempão e aí chegamos no ponto que eu quero contar. Mas, antes, uma pequena introdução, para o bom entendimento da estória e da razão do meu contentamento (já viu que esse post vai ser grande, não?):
<modo digressão on>
No meu aniversário, conversamos por muito tempo e ele me disse que havia desistido da filosofia. Eu falei um monte, disse que estava decepcionada por ouvir uma coisa dessas, que achava um desperdício de talento, etc... em suma, passei o maior sermão (porque eu realmente acho que ele é brilhante e seria uma pena desistir ao primeiro obstáculo). Até levei um cartão da Scarlett Marton (professora da USP e especialista em Nietzsche) e insisti que ele entrasse em contato com ela.
<modo digressão off>
Bom, voltemos...
Ele me contou que mandou um email para a Scarlett. Gritei de alegria no telefone e falei que tinha certeza que ela responderia, ainda que demorasse! Ao que ele respondeu: "se ela não responder, eu vou insistir, mandar mais 1, 2 3 emails e se, ainda assim, ela não responder, vou até aí falar com ela pessoalmente! EU NÃO VOU DESISTIR DA FILOSOFIA!"
Fiquei genuinamente feliz com a mudança de atitude dele e foi muito bacana constatar que o que eu falei não entrou por um ouvido e saiu pelo outro!
Essa é a parte legal... a parte chata disso tudo é que, por mais que eu esteja desencanada (e eu estou mesmo; isso se reflete até na maneira de conversar com ele), bate uma "tristeza" de saber que a gente tem tanto em comum, torce tanto um pelo outro e, ainda assim, não damos certo juntos... Eu não vou ficar chorando o leite derramado, nem vou renovar quaisquer esperanças, mas, realmente, é meio triste ver que tínhamos tudo para dar certo e sabe-se lá porquê ou por culpa de quem não demos... A verdade é que, depois dele, eu nunca mais achei alguém que tivesse essa mesma sintonia comigo (o que não quer dizer, em absoluto, que eu não possa achar, um dia - passei da fase pessimista) e há momentos que eu sinto que ele sente a mesma coisa. Sei lá. Estou encarando nossa relação como uma grande amizade (apesar das "provocações" que ele não deixa de fazer jamais) e acho que isso já é um ganho. Por incrível que pareça, gosto da posição de amiga - tenho me sentido muito mais à vontade. E talvez seja mesmo o mais certo para nós.
- Postado por: Grazi às 11h17
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